domingo, 6 de janeiro de 2019

Recorte das personagens principais







Madalena
Personagem nobre que representa a mulher romântica: dominada por sentimentos exacerbados (amor-paixão).

Traços que a caracterizam:
      a vulnerabilidade/ fragilidade;
      a angústia/o medo (possível regresso do seu primeiro marido/insegurança do seu segundo casamento);
      a inquietação/preocupação (saúde da filha);
      o remorso (amou Manuel ainda casada com D. João);
      a superstição;
      a paixão.





Manuel de Sousa Coutinho
Personagem nobre (cavaleiro de Malta) que representa o escritor romântico.

Traços que o caracterizam:
      o desprendimento em relação aos bens materiais;
      o forte sentimento religioso;
      a força de caráter;
      o comportamento racional (embora se deixe dominar pelos sentimentos face à situação da filha);
      a inquietação (saúde da filha);
      o remorso (situação irregular de Maria);
      a determinação;
      o patriotismo;
      a honra;
      a coragem.






Maria
Personagem nobre que revela um comportamento simultaneamente de adulto e de criança.

Traços que a caracterizam:
      a ternura/meiguice;
      a perspicácia/intuição;
      a inteligência;
      a curiosidade;
      a cultura (gosto da leitura);
      a fantasia;
      o patriotismo (anseia pelo regresso de D. Sebastião e pela libertação de Portugal do jugo de Castela);
      a fragilidade;
       a doença (tuberculose).  





O Romeiro
Personagem nobre que representa o passado.

Traços que o caracterizam:
      o patriotismo;
      a severidade/inflexibilidade; 
      o arrependimento;
      a infelicidade;
      a solidão;
      o amor (D. Madalena)
      a honra.





Telmo
Velho aio da família que se mostra dividido entre o passado e o presente. Tem um papel semelhante ao do coro das tragédias clássicas.

Traços que o caracterizam:
      a fidelidade;
      a humildade;
      a honra e o dever;
      a dedicação a Maria;
      o sebastianismo;
      o conflito interior.




Frei Jorge
Frade da Ordem dos Dominicanos, irmão de Manuel. Tem um papel semelhante ao do coro das tragédias clássicas.

Traços que o caracterizam:
      o equilíbrio;
      a prudência;
      a crença em Deus;
      o bom senso,
      o confidente/conselheiro.



O Sebastianismo: história e ficção



O que é o Sebastianismo?


Crença nacional no regresso de D. Sebastião, desaparecido na batalha de Alcácer Quibir em 1578, para devolver a independência e a liberdade a Portugal, bem como a honra e a glória do passado.






Em Frei Luís de Sousa, o Sebastianismo está presente:

·         nas falas de Telmo;
·         nas esperanças de Maria;
·         nos receios de D. Madalena;            
·         no regresso do Romeiro (associação negativa, uma vez que provoca a destruição da harmonia familiar e mesmo a morte de Maria):  D. João de Portugal aparece como um antimito.


Nesta obra, estão presentes algumas figuras históricas, no entanto o seu desempenho é essencialmente ficcionado.


A dimensão patriótica e a sua expressão simbólica


Frei Luís de Sousa integra a ação durante o domínio filipino, no início do século XVII (1599), vinte e um anos após a Batalha de Alcácer-Quibir (4 de agosto 1578), que provocou o desaparecimento do rei D. Sebastião.

Batalha de Alcácer-Quibir
Para impedir os governadores de Castela de se instalarem na sua casa, Manuel de Sousa Coutinho lança-lhe fogo. Este gesto patriótico simboliza a defesa da liberdade e da identidade de Portugal, a construção de um Portugal novo. Maria acompanha o pai nesse sentimento patriótico, com entusiasmo juvenil.
Paralelo entre a situação de Portugal no tempo da ação e no tempo da escrita.
}  Domínio filipino: perda de independência, falta de identidade (1580-1640)
}  Governo cabralista: crise social e política, falta de liberdade.
Costa Cabral

Nas duas épocas predominam o pessimismo, o desencanto, a frustração.